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Vulcão

Na minha alma reside um segredo,
e nele se abriga a minha energia, minha emoção.
É como um vulcão adormecido…

Tudo parece quieto,
tudo parece normal, mas não está.
Só parece.
Está latente, em meu interior.

Então, um dia, bastará um pequeno movimento,
uma leve pressão, e o vulcão se agitará, fumegará.
Derramará rios e rios de lava,
despertará.

Destruirá o que tiver que ser destruído,
mas abrirá caminho para a renovação.
É o curso da natureza.
Da minha natureza.
É o meu destino.

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O sagrado, santo e imaculado
amor, com o qual te amo,
me faz te pôr em um altar.

Mas meu coração profano,
tão cheio de desejos insanos,
busca ainda se aventurar.

Entre o céu e o inferno,
da primavera ao inverno,
me peso na balança.
Aonde tudo isso vai me levar?

Então mantenho meus pensamentos castos,
diante de um terreno vasto,
que é o do coração.

Venha o teu amor me envolver,
e que toda dúvida possa desfazer,
a fim de me tornar plena e satisfeita,
até o dia em que eu morrer.

[Cláudia Banegas]

Deserto

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DESERTO

Momentos secos acontecem durante a minha jornada.
Sem sinal de mudança, de transformação,
às vezes, a esperança parece acabar.

Embora meu céu interior esteja limpo, sem nuvens,
o sol castiga sem dó e sem clemência.
Forças me faltam para esse deserto atravessar.

Só um oásis poderia aliviar meu sofrimento,
minha agonia, meu tormento.
Nessas águas banharia minha alma,
saciaria minha sede, refrescaria meu ser.

Ali, eu sei, não poderia ficar.
A jornada não termina, só por eu me cansar.
Seria necessário continuar…
E qual melhor satisfação seria?

Finalmente chegar ao meu destino,
vencendo o deserto, me superando, enfim.
Transpondo as barreiras.
É…é isso o que eu quero, pra mim.

Como folhas secas, que caem ao chão,
assim se parecem os meus sonhos.
Ressequidos, sem vida, pálidos.

Estão sem seiva, sem raiz,
e podem ser pulverizados na mão,
apenas com um mover.

Ainda assim, me resta uma esperança.

Acreditarei neles, meus sonhos, até o fim.

Desafio do Meme

Fui convidada pela Poetriz,  para participar de um meme. Um meme, é resumindo ao máximo, o que conhecemos por COPY AND PASTE. Alguém faz, você vê, gosta e copia. Outros verão você fazendo, gostarão, copiarão e assim por diante.

1. Escolher o livro mais próximo. Mas é o mais próximo MESMO;
2. Abrir a página 161 do livro e escolher a quinta frase completa;
3. Escrever este trecho no blog;
4. Passar o desafio a cinco pessoas.

Bom, eu aceitei o desafio, o problema vai ser encontrar as cinco pessoas… vamos ver…rs

Estou lendo um livro bem interessante, chama-se “Ele Ainda Remove Pedras”, do Max Lucado. Eis então:

“Dê uma olhada nessas frases: “Ainda não é chegado o meu tempo”, “É chegada a hora”, “O meu tempo está próximo”; o que está por trás dessas frases? Uma agenda. Elas representam uma ordem definida dos eventos. A missão de Cristo estava planejada. Duvido que um comitê possa ter existido, porém um plano certamente foi elaborado”.

Incluí mais algumas coisas, para completar o raciocínio na frase.

Recomendo o livro que é excelente e agradeço à você, Poetriz, por me passar o desafio…

Agora…vamos ver…

As cinco pessoas que escolho são:

Lu - do Blog Alameda dos Nomes 

Carla - do Recanto dos Sonhos

Airton - do Li por Aí

Menina Boneca - do Menina Boneca e o

Sailing – do Mar de Sonhos

Entrevista com Isidro Iturat, escritor espanhol, criador da nova modalidade poética, indriso:
1. Isidro, nos conte como começou sua experiência como escritor. Com que
idade foi e qual foi seu primeiro poema?

O meu primeiro poema foi intitulado El final, e descrevia um apocalipse com os infernos engolindo a toda a humanidade. Foi em 1991, tinha 18 anos e com ele iniciou-se uma primeira etapa de criação em verso livre com predomínio da temática niilista. Depois, em 1998, ao começar os meus estudos de Letras Espanholas na Universidad Autónoma de Barcelona, teve início o que poderíamos chamar de uma segunda etapa, na qual comecei a sentir um grande interesse pela métrica regular, pela música aplicada à palavra, e também começaram a predominar os poemas eróticos e amorosos.

Porém, tenho que dizer que, como fizeram o padre e o barbeiro no Don Quijote queimando os livros “perigosos” da biblioteca do ilustre fidalgo, também queimei quase tudo destas duas etapas. Alguns poemas, porque os considerei experimentações carentes de uma qualidade aceitável, tanto para mim quanto para mostrá-los para outras pessoas e outros porque representavam uma orientação vital que eu quis deixar para trás, ou pelos dois motivos juntos.    

2. Quando e como surgiu a idéia de criar o “indriso”?

Em 2000 deixei Barcelona e fui morar em Madrid, onde permaneci até mudar-me para o Brasil, no ano de 2005. Foi lá, no início de 2001, que surgiu o primeiro indriso. Na verdade, não surgiu como resultado da vontade de criar nada, apenas se deu espontaneamente. Quando eu penso em poesia, visualizo as coisas na minha cabeça. Surgiu em um momento em que meditava sobre o soneto, e, em um determinado instante, vi as estrofes da figura clássica condensar-se desde o padrão 4-4-3-3 para o 3-3-1-1. Pouco tempo depois escrevi o primeiro poema, Luna menguante, não tendo muita certeza se aquela forma seria uma coisa que valeria a pena trabalhar, mas fui em frente e os resultados têm sido o que, pelo menos pessoalmente, considero até hoje uma preciosa experiência poética.

3. Você tem algum indriso preferido, algum que te chame mais atenção,
entre todos os que você compôs?

Pergunta difícil, mas se eu digo um título sem pensar, poderia citar -para dizer algo concreto- o poema Retrato de interior en verso: mujer desnuda apoyada en la ventana. Ao tentar explicar o porquê, duvido que eu possa dar uma resposta muito lógica. Pode ser por causa da ressonância específica dos versos, porque essa mulher nua na janela é um arquétipo que dirige o seu sopro para alguma caverna interior… quem sabe?

4. Qual a importância do “indriso” para a poesia?

Penso que, como acontece com qualquer obra, a importância do indriso será a que os leitores e os outros criadores queiram lhe conceder. Quando eu o ofereço, estou apresentando simplesmente mais um código de expressão que, para o leitor, poderia ser algo assim como escutar um tipo de som diferente e para o autor, seria mais uma ferramenta de criação.

5. Qual o recado que você gostaria de passar para os escritores brasileiros que estão começando a escrever indrisos?

Na hora de escrever, recomendaria que não tenham medo de brincar, que experimentem na medida do possível os códigos, as combinações, os recursos da linguagem… Adorarei ver o que eles conquistam por conta própria. Mas, com referência a qualquer proposta que eu faça, vale a pena lembrar daquele antigo conselho: Examinem tudo e retende o que for bom.

6. Nos fale um pouco de você. Isidro, por Isidro.

Dias atrás, achava-me na febre de preparar a última atualização da minha página web, quando sonhei uma coisa que penso que poderia dar uma definição adequada de quem é Isidro Iturat, pelo menos em relação ao trabalho que estou realizando com a literatura: Nele, eu tinha deixado um emprego para virar vendedor ambulante. Eu me vi em uma praça pública vendendo maçãs daquelas que tem uma cobertura de caramelo vermelha, e eram feitas por mim. E chegava um estudante e levava uma, e um casal, e levava duas… Parece que, ao fim e ao cabo, é isso o que eu sou: alguém que vende maçãs na rua.

 Obrigada, Isidro, pela entrevista!

Neste segundo volume, uma nova porção das obras literárias da escritora Cláudia Banegas, é apresentada ao leitor. Com o mesmo sentimento e a mesma emoção, a autora oferece a todos, mais uma vez, a oportunidade de desfrutarmos dos seus textos.
À todos, uma ótima leitura!
Download aqui:

http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/684411

“No labirinto das poesias me perco,
sem pressa de encontrar a saída.
Gero palavras, as guio, as transformo,
lhes dou corpo, lhes dou forma, lhes dou luz.”
[Cláudia Banegas]

Oi, pessoal! Uma boa notícia para a cultura nacional!

O site Autores.com.br foi o primeiro site a abrir espaço para os Indrisos.

Este é o escritor Isidro Iturat, criador dos Indrisos:

Atendendo à uma sugestão feita por mim, o Administrador do Autores.com.br, de bom coração, abriu uma nova seção.

Os autores que estão compondo indrisos já podem publicar também por lá. Que mais e mais sites abram espaço

para essa mais nova manifestação poética, derivada do soneto.

Bjos! ( www.claudiabanegas.zip.net )

Autores.com.br ( www.clicklivro.com.br )

Indrisos ( www.indrisos.com )

SERRANILLA DEL VIAJERO SIN SUEÑO                                                                    
                   (Isidro Iturat)

No pueden dormir mis ojos,
no pueden dormir,
porque la serrana dice

me quisiere ver mañana.
No pueden dormir mis ojos,
no pueden dormir,

porque la veré en el prado,

porque la veré mañana.

Vinte e Quatro Horas

 

Se você pensa que vai ler um texto sobre Jack Bauer, sinto muito.
São devaneios sobre vinte e quatro horas, mas não as da vida de um agente americano.
São devaneios que só os sonhadores entendem.
Me peguei imaginando como seria a vida de uma rainha no Egito.
Seriam vinte e quatro horas enfadonhas? Entediantes? Terrivelmente monótonas? A que horas ela acordava?
Sem compromisso com trabalho, com louça, com filhos para mandar à escola; acho que acordava na hora em que bem quisesse. Afinal, o sono de beleza devia ser fundamental.
Serviçais sempre à disposição, prontos para atender qualquer desejo, sem questionamento, sem confrontos, sem discordâncias.
Sempre concordando… sim, minha Rainha!
Escravos abanando no calor, aquecendo no inverno…todos eunucos.
Enfadonho! (?)
Horas arrastando-se, o sol movendo-se através do céu egípcio, aquecendo as águas do rio Nilo, crocodilos indo e vindo, eventualmente… Finalmente, chega a hora do banho!
Sem shampoo, mas pelo menos, diz a história que as mulheres egípcias tomavam vários banhos por dia (nossa!), com massagens e óleos aromáticos, que ficavam impregnados na pele. Deviam ser mulheres cheirosas…diz a história também que uma das receitas egípcias para combater as rugas recomendava preparar uma pasta a base de leite, incenso, cera, azeite de oliva e esterco de gazela. Ah, certo… está explicada a necessidade de tanto banho e tanto óleo aromático.
Ao menos, tinham toalhas felpudas para se enxugarem?! Água quente, por favor!!
Sem internet, sem um laptopzinho básico, um ipod ou mp3, com as músicas mais tocadas no Alto Egito, a rainha não experimentava nenhuma agitação, exceto as de praxe, quando morria alguém importante e era mumificado.
Sem livros, sem revistas da moda…a henna era a solução milagrosa para os cabelos brancos, afinal, rainha egípcia também envelhece, oras!
Em um dia mais metódico, magos e encantadores podiam ser convocados para ajudarem a passar o tempo.
Seria a senhora do Egito, a Rainha, uma mulher feliz?
Cleópatra não foi. Suicidou-se, picada por uma víbora! Essa foi de matar…
Ambiente cheio de intrigas, mistérios, traições…
Em seus aposentos, a rainha ainda aguentava o mau humor do marido, o senhor do Egito, o rei. Se fosse ciumento e cismasse com alguma coisa, mandaria cortarem-lhe a cabeça, para perguntar qualquer coisa depois. Pior que nem o lexotan existia…
É…talvez fossem vinte e quatro horas de sobrevivência e muita aventura; não foram raros os rompantes de paixões dessas rainhas, pois nem sempre o rei ocupado com tantas estratégias de guerra para manter o poder, tinha tempo de cuidar das necessidades da esposa.
Enquanto a noite era considerada apropriada para o descanso dos mortos, a rainha agia.
Afinal, ela ainda estava bem viva!
Até quando? Só Rá sabia…

A Visita

Há alguns dias, recebi uma visita inesperada.

Aliás, minto.

Inesperada não!

No fundo eu sabia que ela me procuraria novamente, mais cedo ou mais tarde e foi exatamente o que aconteceu.

Ela sempre se aproxima assim, devagar, como quem não quer nada.

Traiçoeira, sórdida, ela vem ver como eu estou.

Ás vezes, não quero recebê-la. Deixo-a batendo na porta dias inteiros, na vã esperança que ela vá embora, que desista de mim, que me esqueça.

Quem dera! Ela não desiste fácil….

Me conhece e sabe que, aos poucos, vou ceder espaço, não tanto quanto ela gostaria, mas o suficiente para que se instale ao meu lado e me acompanhe.

Por quantos dias ela ficará desta vez?

Eu não sei, só ela sabe…às vezes, a visita é rápida, outra vezes, de longa duração.

Algumas dessas vezes, na hora de ir embora, ela queria levar um souvenir: meu fôlego de vida. Por isso, ainda me sinto desconfortável em sua presença, pois ela me incomoda.

Ao meu lado, ela faz questão de me trazer à lembrança todos os meus fracassos, todas as minhas dores, todas as minhas frustrações.

Não satisfeita, ela ainda me faz acreditar que eles vão se repetir e que meu amanhã não verá manhãs quentes de sol, mas somente invernos.

Ela me faz chorar, mas não enxuga nenhuma das minhas lágrimas.

Me angustia, mas não se preocupa, de forma alguma, com minhas condições cardiológicas.

Para ela, não interessa o que eu quero ou o que eu penso. É como um parasita que se alimenta do meu desconforto.

Por osmose, acabo querendo o que ela quer e pensando o que ela pensa.

Esse é o maior perigo.

Ela é má, severa e diabólica. Não gosto dela, nem ela de mim, mas eventualmente, convivemos uma ao lado da outra.

Espero que um dia ela vá embora de vez e não volte nunca mais.

Quando será esse dia, eu não sei, só sei que até hoje, ela tem ido embora sem mim, mesmo tendo recebido convite para acompanhá-la, não uma, mas várias vezes.

Vou continuar sempre dizendo não.

Não vou com você, depressão.

E ela vai sempre se despedir da mesma forma: “Então, até a próxima!”

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